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"Manger des crêpes à la chandeleur Apporte um an de bonheur."
"Comer crepes na chandeleur Aporta um ano de felicidade."

O ditado francês garante que comer crepes no dia de Chandeleur - data comemorativa dessa delícia inventada pelo povo bretão - traz sorte por um ano. Símbolos de riqueza, abundância e luxo, os crepes franceses compõem um capítulo à parte no universo gastronômico da França.

A Bretanha é conhecida pelos franceses como a "terra das lendas". E é por isso que o surgimento desse prato é explicado tanto com fatos quanto com folclore. No século 12, o povo bretão passava fome, como acontecia em muitas regiões da Europa na Alta Idade Média. O trigo branco, principal fonte de alimento dos plebeus, não crescia bem no ácido solo da Bretanha. Certa vez, na volta das cruzadas, os senhores feudais trouxeram uma curiosa planta do Oriente. Seu grão, de cor escura e forma triangular, ganhou o nome de "trigo sarraceno" - ou "trigo negro" - e se adaptou rapidamente ao solo bretão. Resultado: fim da fome na região.

Tempo depois, em uma noite de tempestade, a duquesa Anne de Bretagne, futura esposa do rei da França, perdeu-se na floresta de Brocéliande. Reza a lenda que os duendes da floresta a guiaram até a cabana de um lenhador. A duquesa e seus cavaleiros tiveram os sentidos despertados por um delicioso aroma que emanava da cozinha. Anne experimentou, então, sua primeira galette de sarrasin. Em 1499, a duquesa casou-se com o rei da França, Louis XII, e ofereceu-lhe as galettes de trigo negro, que se tornaram símbolo de riqueza, luxo e abundância em todo o país.

Um lado pouco conhecido é a ação saudável do trigo sarraceno no funcionamento dos rins e no desempenho sexual, mas desaconselhado aos diabéticos.

Importante: a galette de sarrasin, preparada com trigo sarraceno - também chamado de trigo negro - é servida apenas com recheios salgados; enquanto a crepe de froment, feita com farinha de trigo branco, é combinada com sabores doces.